O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é o indicador base para a avaliação do desempenho da educação no país, pois reúne em um só indicador, os resultados de dois conceitos igualmente importantes para a qualidade da educação: o fluxo escolar e as médias de desempenho nas avaliações.[1]

Os resultados do Ideb 2015 para escola, município, unidade da federação, região e Brasil são calculados a partir do desempenho obtido pelos alunos que participaram da Prova Brasil/Saeb 2015 e das taxas de aprovação, calculadas com base nas informações prestadas ao Censo Escolar 2015. Dessa forma, cada uma dessas unidades de agregação tem seu próprio Ideb e metas estabelecidas ao longo do horizonte do PDE, ou seja, até 2021.[2]

Os mapas a seguir apresentam um panorama da distribuição do Ideb do 5º e do 9º no ensino fundamental na paraíba. Os municípios em cinza não possuem valores para o Ideb em 2015.

O Ideb do 4º ano é superior ao do 9º ano, o que indica que a educação pública na Paraíba tem mais qualidade no Ensino Fundamental I que no Fundamental II.

A tabela a seguir apresenta alguns valores para a comparação do Ideb nos dois níveis do ensino fundamental.

Ano Média Mediana Máximo Mínimo
4.54 4.5 6.6 3.5
3.61 3.6 5.4 2

O Ideb e o valor gasto com cada aluno

Agora que já compreendemos como se comporta o Ideb na Paraíba, iremos estudar como ele se relaciona com gasto que os municípios tem com seus alunos da rede municipal.

O total gasto com a alimentação de cada aluno foi obtido somando o valor dos empenhos relativos a merenda e dividindo o resultado pelo total de alunos matriculados (nos níveis Pré-Escolar, Fundamental e Médio), nesse mesmo município. O valor de Ideb que usaremos é a média entre os valores do Ideb do 5º e do 9º ano. Os dados se referem ao ano de 2015.

A visualização abaixo mostra a ditribuição destas duas variáveis (foram removidas da análise as cidades em que não obtido valor do Ideb em 2015).

O gráfico anterior nos dá indícios de que não existe relação entre as duas variáveis estudadas, já que não existe nenhuma tendência aparente no comportamento dos dados, o que se comprova, já que a correlação entre o Ideb e o gasto por aluno é de apenas 0.12 que é um valor tido como baixo para valores de correlação linear.

Compreendemos que essa correlação baixa entre o Ideb e o valor gasto com merenda já que existem diversos fatores que impactam no desenvolvimento da educação de um município, não somente a merenda escolar.

Além da relação entre as variáveis, podemos observar ainda que a maior parte dos municípios de concentra na região mais à esquerda do gráfico mas existe um pequeno grupo que está mais à direita, ou seja, gasta bem mais com a merenda de cada aluno que os demais. Será que esse comportamento tem relação com o tamanho da cidade?

É o que descobriremos na seção a seguir!

População

Cidades com número de habitantes semelhantes gastam e se desenvolvem da mesma forma? Existe um padrão entre as cidades de pequeno, médio e grande porte na Paraíba com relação aos gastos com merenda e o seu desenvolvimento da educação básica?

Distribuição da População

Vemos que a imensa maioria das cidades tem até 100 mil habitantes, para analisarmos com mais detalhes estas cidades removeremos Campina Grande e João Pessoa da análise já que tem muito mais habitantes que as demais e não teríamos cidades de porte semelhante para compará-las. Além disso, dividiremos os municípios em faixas de população para que possamos estudar essas faixas com mais detalhes.

Ao dividirmos os municípios pela população obtemos novos valores de correlação para algumas variáveis que julgamos importantes, estas informações são exibidas na tabela a seguir.

Faixa da população Nº de municípios Gasto por aluno X Ideb Gasto por aluno X População
[0, 4K] 32 0.07 -0.35
(4K, 6K] 34 0.34 -0.12
(6K, 9K] 38 0.08 0.25
(9K, 15K] 29 -0.08 -0.05
(15K, 30K] 37 -0.03 -0.08
(30K, 150K] 15 0.27 -0.18

Alguns valores de correlação são mais fortes que os observados anteriormente sem considerar a população das cidades. Mas ainda assim nenhuma correlação forte é observada.

Agora visualizaremos os municípios em relação ao seu Ideb e o gasto com a merenda do alunos mas considerando também a população.

Mesmo agora, estudando os municípios em suas faixas de população percebemos que o Ideb não nos informa muito sobre os municípios, já que em todas as faixas temos uma distribuição bastante irregular.

No entando o gasto por aluno parece apresentar casos com comportamento estranho, uma vez que, na mediana os municípios da paraíba gastaram 181.62 reais com a alimentação de cada aluno no ano de 2015, no entanto alguns municípios parecem ter gasto muito mais que isso. Alguns deles são:

Município Gasto por aluno Faixa de população
Riacho dos Cavalos 727.3197 (6K, 9K]
São José do Brejo do Cruz 699.1541 [0, 4K]
São Vicente do Seridó 533.2199 (9K, 15K]
Curral Velho 528.2737 [0, 4K]
São João do Rio do Peixe 483.1586 (15K, 30K]

Ou ainda, cidades que parecem não ter gasto nada (ou quase nada) com merenda:

Município Gasto por aluno Faixa de população
Belém do Brejo do Cruz 0.0000000 (6K, 9K]
Bernardino Batista 0.0000000 [0, 4K]
Bom Sucesso 0.0000000 (4K, 6K]
Livramento 0.0000000 (6K, 9K]
Montadas 0.0000000 (4K, 6K]
São Sebastião do Umbuzeiro 0.0000000 [0, 4K]
Serra Branca 0.6253642 (9K, 15K]
São Francisco 3.9976044 [0, 4K]
Aparecida 8.0335766 (6K, 9K]
São Domingos 14.1429400 [0, 4K]

Gastam muito

Observamos que cidades pequenas (com até 4000 habitantes) gastam em geral, mais que cidades com mais habitantes.

É no mínimo curioso que São José do Brejo do Cruz precise gastar 699.15 reais com a merenda de seus 378 alunos matriculados enquanto Várzea gaste 373.14 reais tendo apenas 28 matriculas a mais.

Gastam nada

Uma justificativa que podemos encontrar para esses casos é que algumas administações podem estar comprando merenda sem necessariamente estar indicando isto através dos códigos corretos, e deste modo, essa compra não é capturada pelo filtro que usamos.

Distribuição do gasto por aluno